O filme
"As Invasões Bárbaras", em seu enredo se passa no Canadá e é uma
continuação do filme "O Declínio do Império Americano". O segundo
filme da trilogia ganhou muitos prêmios como: Oscar de melhor filme estrangeiro; melhor filme estrangeiro, no European Film Awards; Grande
Prémio Cinema Brasil de melhor filme estrangeiro,
e, foi aclamado pelos críticos. O conteúdo do primeiro filme foi baseado no
sexo e nos conceitos pré formados não só pelos norte americanos. No segundo filme
da trilogia o personagem Rémy Girard, assim como os outros personagens que
participaram do primeiro filme, estão mais velhos, mas somente Rémy está com um
câncer terminal e é nesse ponto que o enredo da história se desvencilha do
filme anterior. Logo no começo do filme o protagonista está hospitalizado em
condições horríveis. Começa por esse ponto: O Sistema de Saúde do Canadá. Dando
ênfase às críticas dadas no filme de maneira extremamente consciente. Encarando
o final da vida com muita lucidez, o ele percebe quão pequeno foi e lembrou de
suas amantes, do sexo, do que já fez na vida, naturalmente é o que se passa na
cabeça de alguém que está morrendo, ainda mais de um homem que formava
pensadores. Rémy era professor.
O filho milionário com qual ele nunca teve uma
boa relação, chega de Londres. Através de dinheiro e influência consegue
melhorias na qualidade de vida do pai dentro do hospital; a filha de Rémy, por
outro lado vive em um barco, consumindo o que há de mais rústico e simples na
vida, o mar; sem dinheiro, porém feliz. Durante esse processo há um ponto forte
nos argumentos usados, o que arremete ao título do filme, a tragédia de 11 de
setembro. Esse atentado toma destaque no filme, mas apenas e modo breve, logo
depois o filho de Rémy buscou ajuda com os amigos do pai e com a filha de uma
amiga, a qual conseguiu acesso à heroína, uma droga que foi usada para amenizar
as dores do pai antes do final da vida. Essa intermediadora era uma jovem que
era usuária de drogas, ela viu de perto e interferiu de certa forma naquilo que
acontecia. Novamente, o filho através do dinheiro fez tudo o que pôde para poder
amenizar o sofrimento do pai em seus último dias e de certa forma conseguiu manipulando
os fatos que estavam visíveis para sentimentalmente deixar o pai melhor. Indo para
a casa de praia onde se passa o primeiro filme, lugar que lhe trazia incríveis
lembranças, escolheu submeter-se à Eutanásia.
Exatamente neste ponto o
expectador é levado ao questionamento sobre a atitude dele e da família. Talvez
por estar falando de expectadores brasileiros isso tenha sido um choque, porque
não é natural da cultura brasileira ter tal atitude nesses momentos, mas para
os europeus isso é levado com mais seriedade, porém ainda com ressalvas. Levando
por uma questão psicológica, obviamente ninguém quer perder um ente querido ou
se quer permiti-lo partir, mas pela reflexão filosófica onde o personagem se
encontrava, pois ainda não tinha encontrado a sua função na vida, pareceu
natural não querer mais sofrer. Quando digo natural me refiro à opção, foi uma
opção bem clara escolher não se submeter mais à doença. Até onde se pode
entender, os direitos e os deveres de cada cidadão estão escritos para que
qualquer um possa ler, mas há um questionamento a se fazer.
É um direito de
todo cidadão ter, ao menos que teoricamente uma boa qualidade de vida. Mas se o
estado nos faz ter uma "boa vida" através dos impostos obrigatórios,
por que não é possível escolher uma "boa morte"? É um direito de
qualquer ser humano ter livre-arbítrio sobre a própria vida, e escolher seja
por ele mesmo ou por intermédio da família, não se é ou não democrático, mas
justo acabar com um sofrimento generalizado ou continuar com uma visão
certamente "masoquista" sobre algo que é inevitável. Com essa cena
acaba o filme que por gentileza do diretor, trouxe críticas e novas visões
sobre a sociedade e sobre todo o contexto político/social que a envolve. Num
sentido sentimental, fugindo um pouco da teoria geral, creio que é possível sim
possível enquadrar também o câncer, ou outro tipo de doença, assim como as
drogas e os atentados, como uma invasão bárbara à psique humana.

